ECONOMIA DE CEMITÉRIO
Prof. Marcos Coimbra
Professor Titular de Economia junto à Universidade Candido Mendes, Professor na UERJ e Conselheiro da ESG.
Artigo publicado em 10.09.2003 no Monitor Mercantil.
A expressão economia de cemitério é de autoria do nosso amigo e colega Prof. Adriano Benayon, com doutorado em Ciências Econômicas na Alemanha. Estamos apropriando-nos dela, por representar muito bem o drama vivenciado pelos brasileiros nos dias de hoje. Tecnicamente já amargarmos uma recessão, caracterizada por dois trimestres consecutivos de taxa negativa do PIB. A renda real dos trabalhadores decresce acentuadamente, a indústria sofre quedas sucessivas a cada período de tempo e o desemprego avança. Não conhecemos qualquer segmento da economia real que esteja satisfeito, além do "agronegócio", que continua a resistir bravamente, não sabemos até quando. Nossas reservas líquidas, apesar dos saldos positivos e expressivos de nossa balança comercial, não ultrapassam o patamar de US$ 14 bilhões. Isto prenuncia a desculpa das atuais autoridades econômicas para renovar o acordo com o FMI que, caso aprovado nas mesmas bases do compromisso em vigor, impossibilita a retomada do processo de crescimento econômico, a fim de que possamos depois voltar a sonhar com o esperado desenvolvimento econômico. Em todas as camadas da população, dos níveis mais baixos de renda até aos mais elevados, a queixa é a mesma, guardadas as devidas proporções. Não há dinheiro, não há emprego, com exceção do setor financeiro.

Muitas pessoas equivocam-se em imaginar que a Economia é uma ciência fria, desumana, interessada em perpetuar as condições existentes de desigualdade, seja a nível pessoal, regional ou setorial. Isto é explicado, em parte, pela maciça divulgação pelos meios de comunicação de massa dos postulados do "globoritarismo" (totalitarismo da globalização), ou seja, do neoliberalismo, os quais conspurcam os reais princípios da Economia. Sua própria conceituação caracteriza-a como ciência social, cujo grande objetivo é a maximização da função de interesse coletivo da comunidade, aproximando-se assim do conceito do bem comum, ideal de convivência capaz de, ao mesmo tempo em que assegure a busca do bem-estar, construa uma sociedade onde todos tenham condições de plena realização de suas potencialidades e do exercício constante de valores morais, éticos e espirituais.
Desta forma, o principal objetivo de um sistema econômico deve ser o de garantir o pleno emprego dos fatores de produção, ou seja, proporcionar trabalho a todos os componentes da população economicamente ativa (PEA), em torno de 78 milhões de pessoas, com plena utilização própria dos nossos vastos recursos naturais. E, no Brasil, tudo isto é perfeitamente factível. Como? Basta, de início, diminuir a sonegação em 50%, o que provocará recursos adicionais da ordem de cerca de R$ 200 bilhões a serem investidos na infra-estrutura econômica e social, retornando assim a formação bruta de capital fixo a 25% do PIB. Em seguida, diminuir expressivamente a imoral taxa de juros ainda em vigor. Desta forma, serão ativados os setores de energia, transportes, comunicações, saúde, saneamento básico, educação, segurança, ciência e tecnologia.
E o segredo do desenvolvimento está justamente na qualidade dos recursos humanos, em especial na garantia de uma sólida educação básica, realmente formadora, capaz de propiciar a profissionalização daqueles que desejarem e, em paralelo, um ensino superior voltado para a pesquisa, em consonância com os anseios da comunidade, pois hoje mais do que nunca o mais importante é o capital humano. E somente uma população verdadeiramente habilitada é capaz de libertar-se da opressão dos mais ricos e assegurar o pleno desenvolvimento do Brasil. A receita é justamente a contrária à empregada pela atual administração Lula, ou seja, sacrificar a população, por intermédio de "reformas" de caráter consfiscatório, que irão provocar a queda da renda pessoal disponível real e, em conseqüência, do consumo das famílias, a fim de pagar cerca de R$ 150 bilhões de juros da dívida interna e cerca de US$ 15 bilhões de juros da dívida externa.
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